Amorfo
Posted by Unknown in Devaneios on segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Meu nome é Pedro Santoro Zambon, tenho 17 anos, sou estudante, mais especificamente vestibulando, que nada mais é do que um estado de amorfismo intelectual, aonde um jovem estudante do ensino médio acumula o máximo de conhecimentos inúteis e improdutivos a ponto de ser capaz de assinalar o máximo de letras corretas em uma prova que vai fazer este jovem transcender ao estado de nada, ao de universitário, ou seja, um potencial ser humano útil na sociedade. Ok, sem mais definições óbvias. Quero escrever um texto até então inconcebível pra mim. Quero escrever alguma coisa que busque libertar deste calabouço mental a grande crise existencial desta magnífica indefinição da criança se tornando adulto, a maravilhosa fase de ebulições hormonais chamada adolescência. Bullshit. A grande verdade é que busco escrever algo sem parar, ler, voltar, reformular, estruturar a coerência e a coerção, e fazer de tudo uma obra que me faça prepotentemente ouvir elogios, de, "ah como você é foda e escreve bem". Não, quero escrever e deixar o teclado dar asas ao meu estado de confusão
Graças ao bom Deus que, apesar de nada poder mudar isso por ação qualquer, existe um remédio inerente a existência, que hora ou outra vai me libertar desta algema paradoxal da inconcepção do mundo. Esse grande remédio é uma benção para os mortais, um pesadelo pras cinqüentonas, e uma coisa que nada pode mudar: O Tempo. Trilhões de jovens já passaram por isso, uns morreram, outros se suicidaram, e a grande maioria se robotizou por um período, tomou consciência em outro e transformou a vida a ponto de não mais passar por uma constante crise existencialista, e passar a vivê-la de fato, com o objetivos concretos e não mais sonhos e aspirações. Mas enquanto o tempo não me dispõem isso, vivo na indefinição, e busco, com ela, escrever algo que ajude alguma criatura no mesmo estado a se acalmar.
Podem me chamar de pessimista, até eu acho isso. Na verdade sou igualmente e (lá vai essa palavra de novo) paradoxalmente otimista. Vejo o caos, a maldição, a putrefação que se tornou essa maldita sociedade hoje, essa juventude sem perspectiva, esse capitalismo atroz e selvagem que não poupa nem a si mesmo com a fome voraz por cabeças rolando e acúmulo de riquezas sem sentido, esses adultos hipócritas que cuidam do mundo como cuidam do vaso sanitário em dia de diarréia nervosa. ou otimista, ao mesmo tempo, quando digo que acredito que no meio de tanta maldição, existem alguns indivíduos que, mesmo nadando neste mar de ervas daninhas, conseguem ter potencial, mesmo que sufocado, de mudar esse mundo.
Mas não será fácil, mesmo que haja uma tentativa muito bem planejada, aonde todo sangue, altruísmo e vontade sejam instaladas. A verdade é que são poucas pessoas, para pouco tempo e muitas mudanças. São nas ruínas de um prédio condenado que se ergue um monumento impecável. Tudo bem que esse monumento milhares de anos além se tornará deploravelmente (apesar de histórico) insustentável e desmoronará. Mas a associação é simplesmente para ilustrar que, se queremos uma sociedade do amanhã melhor, devemos destruir a sociedade de hoje, e, nas ruínas da mesma, construir uma outra, mais sólida. Um discurso sociopata perfeito, pra falar a verdade. Maldição, to me tornando um enigma da psicologia; prepotência acreditar isso, mas fazer o que, tenho 17 anos, é de se esperar que eu haja assim, como se eu fosse o centro do mundo e que tudo gorasse ao meu bel prazer e dispor, e que meu humor que rege, de fato, as conjecturas do universo.
Ah, nem dez por cento dos leitores disso entenderão esse texto e sua complexidade, não digo isso por falta de humildade não, digo isso, além de por verdade da própria complexidade gramatical, ou seja, coerciva, do texto, fica difícil entendê-lo; mas o que vai eliminar a maioria dos leitores no seleto grupo de entendedores da loucura é o próprio fato de poucos serem loucos o bastante para conseguirem ler isso sem me mandar a merda, ou falar que eu sou uma pessoa completamente fora da realidade do mundo. E se eu for, dane-se. Mas afinal, qual é a realidade do mundo? É a que a maioria das pessoas vivem?
Se for, realmente não estou nessa realidade. Mas não acredito que essa seja a verdadeira realidade. Não é possível que esse mundo bitolador, rotinizador, atroz, selvagem, cru, falso, indefinido, coorporativo, impessoal, passional, pseudorracional, e tudo mais, seja o verdadeiro. Deve existir algo mais reconfortante, justo, verdadeiro do que isso em que eu vivo. Essa "coisa" reconfortante pode ser Deus, sei lá, mas ele não é uma realidade, é uma matéria, um fator gerador de tudo que existe, condutor de tudo, e etc. Eu quero algo concreto. Pode ser falta de fé falar isso, mas, para falar a verdade, falta-me fé. Não que eu tenha pouca. A maioria das pessoas, com a fé que tenho poderiam se sentir completas, felizes e coisa e tal, mas eu, sei lá porque, talvez porque eu seja um pouco mais intelectualmente bem resolvido ou complexo, mas, eu não sinto que isso seja o suficiente para preencher a lacuna que se instaura no meu coração.
Essa lacuna já achei que poderia ser preenchida por alguém do sexo oposto. Me enganei. Opa, agora parece que eu sou um homossexual se revelando. Não, não é isso. Tenho atração por mulheres, e assim vai continuar eternamente, de fato. O que eu digo é que a ausência de opções entre a juventude de hoje me faz ficar preso em um beco sem saída aonde ou eu me curvo a ter algo com pessoas inúteis e inferiores para satisfazer meus estímulos libidais momentâneos, ou permaneço sozinho aguardando a utópica pessoa certa surgir, até o momento que ilusoriamente acredito ter encontrado, mas, de tanto desejar, projetarei tanto nessa pessoa a idealizada busca, que no fim me decepcionarei amargamente com a pessoa em questão, e desistirei do amor, até a próxima ilusão se instaurar diante dos meus olhos. Isso até o dia que alguém útil de fato apareça. Mas até quando? Quando? E será que isso vai mudar?
Mas como eu disse, essa lacuna passional, se preenchida, não vai resolver tudo. Ainda restará um mundo a minha volta, corrupto, regido pela lei dos mais fortes, pelos impulsos, pelas vontades e eu, racionalmente estruturado o suficiente para enxergar tudo isso, estarei como cego em tiroteio, como louco profetizando aos outros um fim que para eles é impossível existir. Essa sociedade está podre. Seus alicerceis corroídos. Quando esses jovens chegarem a maturidade e o mundo finalmente for deles... Ou será a solução definitiva, ou a ruína absoluta.
Nunca uma juventude teve tanto potencial para as duas coisas. É bem verdade que a geração que governa o mundo de hoje não é lá muito boa, ou melhor, é horrível. Na verdade está sendo uma sucessão de gerações, uma pior que a outra. Geração da transição do século XIX pro XX, mau do século; geração das grandes guerras; geração da guerra fria e ditaduras militares; geração atual que não sei nem como nomear. Enfim, estamos pegando a herança de todas elas nas costas, carregando conosco e dizendo: "O que fazer com tanta merda?".
Meio ambiente, devastado; sociedade, corroída; economia, desestruturada, com um buraco invisível que não se pode enxergar. Bem, quem sabe eis ai a solução que o capitalismo vai encontrar para seu próprio fim, graças a sua natureza contraditória...dizia Marx. Mas enfim, as horas passam, o sono chega, o medo continua, sempre.
Medo. Essa palavra resume o que sinto. Já me achei fraco por sentir medo. Talvez seja a voz da maldita prepotência e arrogância que inventei como redoma para me proteger dos fracassos. A verdade é que não sei como vou enfrentar o mundo daqui pra frente. Estou prestes a fazer isso, tenho tudo na cabeça, mas não sei como usar.
O que falta pra mim é uma guerra. Uma luta, uma ideologia, bandeira, grito. Sabe, num to falando que quero uma nova ditadura, nem nada. É que estou tão sem rumo, sem vontade ou objetivo. Sim, tenho anseios, só que nenhum deles ´forte o bastante para me fazer acordar a cada dia, respirar e desejar...
Por esse simples motivo não tenho esperança. Não por tê-la perdido, mas por não ter motivo de possuí-la. E isso já explica o porque eu, e a maioria dos jovens com um pouco de intelecto como eu estamos assim, perdidos. E essa situação é extremamente perigosa, pois, está em nós a missão de mudar esse mundo, mas, se permanecermos assim, falharemos, e como disse anteriormente, a falha significará ruína. E isso ninguém quer.
Precisamos nos erguer, preciso me erguer. Sei que é difícil andar no meio de tanta sujeira, mas, para lutar contra porcos, precisamos adentrar ao chiqueiro. Por isso vou lutar, e enquanto eu estiver vivo, não vou permitir que esse mundo se destrua, sem eu ter ao menos tentado impedir.
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